Histórias de Moradores de Santo Amaro

Esta página em parceria com o Museu da Pessoa é dedicada a compartilhar histórias e depoimentos dos Moradores do bairro de Santo Amaro.


História do Morador: Agenor Borba Junior
Local: São Paulo
Publicado em: 08 de março de 2010

Santo Amaro, que saudades

História:
Santo Amaro, que saudades... Eu, Agenor Borba Junior, conhecido por todos como Nonô, gostaria de contar algumas passagens da minha infância em Santo Amaro, lugar onde nasci, em 1939. Tinha eu mais ou menos 7 anos de idade, meus pais me levavam para ver a festa do Divino, no Largo 13 de Maio. Era uma festa muito bonita, com muitas barracas e muita gente que vinha dos povoados vizinhos. No mês de junho tinha muitas festas nas casas, erguiam o mastro em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro, tinha fogueira, soltavam balões e muitos fogos, era muito alegre.

Cheguei até ver carros de boi trazendo lenha para o meu vizinho. Estudei no grupo escolar Paulo Eiró, onde fiz até o 4º ano do primário. Aos 12 anos de idade já comecei a ter meus amigos, como dizia antigamente "minha turma" E que turma Na rua Anchieta, esquina com a rua Santo Antônio, onde eu nasci, tinha muitas árvores dos dois lados da rua. Nós subíamos nas árvores esperando a boiada passar e, quando estava no meio da boiada, com um galho da árvore nós espantávamos os bois, até que um ou dois bois se assustavam e saíam correndo pelas ruas. O boiadeiro ia logo atrás do boi fujão, laçava e amarrava as patas até que um caminhão viesse buscar, às vezes, no dia seguinte. Aí era a parte mais gostosa da brincadeira: passando algumas horas, lá estávamos nós para desatar as amarras das patas do boi, ele levantava e saía correndo pelas ruas, chegava até o Largo 13 de Maio assustando a todos. Era a farra do boi. Na avenida João Dias, próximo ao Mercado Velho, existia uma chácara de verduras, onde entrei correndo para pegar um balão que estava caindo. Estava olhando para cima quando caí num poço com água, me molhando todo, levando um baita susto. Em Santo Amaro tinha dois cinemas: São Francisco e Cine Mar. Todos os domingos nós íamos assistir a matinê.

Quando terminava o filme, eu e meus amigos íamos para a Rua Direita passear e ver a banda de música tocar no coreto do jardim. Esse era o nosso domingo... Na avenida João Dias morava o famoso escultor e escritor Julio Guerra, que na época estava fazendo no quintal de sua casa a estátua do Borba Gato. Por eu ser de uma família tradicional de Santo Amaro e o Julio Guerra ser muito amigo de meus pais, ele me deu um quadro do Mercado Velho de Santo Amaro pintado por ele em 1928, que guardo com muito carinho. O bonde que vinha da Praça João Mendes até o Largo do Socorro era nossa diversão. Na porta de trás do bonde ficava uma pessoa para abrir e fechar a porta, quando essa pessoa faltava, era eu que estava lá, abrindo e fechando a porta. Às vezes, antes de o bonde parar, eu abria a porta, o bonde dava um tranco e um estouro. Levava uma bronca do motorneiro. Todos os anos saíam de Santo Amaro duas romarias a Pirapora, com muitos cavaleiros, charretes e ônibus. Uma era do Cinerino, que tinha um armazém. Na calçada, havia uma argola no chão para amarrar os cavalos dos donos que vinham fazer compras.

A outra romaria era do Vereador José Oliveira de Almeida Diniz, conhecido na época como Zé da Farmácia, pai do Zezito, grande amigo meu. Nós íamos amansar os cavalos que vinham das olarias para levar na romaria, isso era no Varjão onde hoje é a Marginal do Rio Pinheiros. Dos 13 aos 14 anos formamos um time de futebol num pequeno campinho da rua Anchieta, e demos o nome de Anchieta. Tinha bons jogadores, mas quem se destacava mais eram Irineu, Maloquinha e o Rivelino, que na época começou a jogar no Banespa Futebol de Salão. Saí com eles várias vezes, no carro do Rivelino, um fusquinha, para ver o "Palmeirinha" jogar, um grande time na época, onde jogavam bons jogadores, inclusive José Maria Marim, que foi Governador de São Paulo. A todos os meus amigos da época que ouvirem ou participaram desta narração, um grande abraço a todos de seu amigo Nonô.

Esta é uma pequena passagem que eu conto da minha infância em Santo Amaro, onde conheci vários personagens como: Vereador José Diniz Governador de São Paulo José Maria Marim Rivelino, que na época ia treinar no Corinthians Julio Guerra, Escultor e Escritor Falo também do Bonde, da Romaria à Pirapora, da Festa do Divino Espírito Santo e do Grupo Escolar Paulo Eiró.




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